Coffe&Cigarette















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Eu sei que não sou fácil mas, por favor, não desista de mim. Tenho meus defeitos, afinal, ninguém é perfeito. Só lhe peço uma coisa, deixe meus problemas irreparáveis de lado e fique comigo, não me deixe ou desista de mim, apenas permaneça. Faça a diferença. Seja aquele que perdoou e entendeu, aquele que permaneceu. Eu sei que o que peço não é assim tão fácil como minhas palavras demonstram, sei que aturar minhas constantes mudanças de humor e todos os meus defeitos não é fácil, mas apenas aceite-os e perceba que eles fazem parte do que sou e não importa o que façamos ou o que aconteça, nada poderá retirá-los de mim, até mesmo porque, convenhamos, sou feita de mais defeitos do que qualidades. Mas sou sua e sempre serei, alma e corpo, com todos os aspectos positivos e negativos que isso pode lhe proporcionar. Então fica. Fica comigo e não desista.” Valeska Figueira (d-esprendida)


Eu te dou o meu coração, mas promete cuidar dele? Não o maltrate, o pobre coitado já foi demasiado humilhado e merece um pouco de descanso. Se for tua intenção parti-lo uma vez mais, não te aproximes se quer. Antes um coração abandonado, do que desfeito em mil pedaços.
~ Valeska Figueira (d-esprendida)

“Quanto tempo se passou… Sinto sua falta, devo confessar, mas já não te quero perto de mim. Costumavas fazer-me bem, hoje só fazes-me mal. Mudaste, eu mudei. Ambos crescemos e seguimos caminhos completamente opostos. Já não há espaço para ti em minha vida. E sei que isso funciona ao contrário também. Não digo isso por ter te esquecido ou por, simplesmente, já não querer qualquer contato contigo… O fato é que mudaste… E não foi para melhor. Te transformaste em algo que nunca julguei que fosses capaz de ser e esse sim, este teu novo “eu”, já não quero por perto. Desculpe, mas por fim posso dizer o definitivo “adeus”, sem qualquer lamentação e remorsos, com a certeza de que onde quer que a vida me leve, jamais olharei para trás.” Valeska Figueira (d-esprendida)


― Estou cansada, Zé. – Estava em pé, na porta que ligava a sala e o quarto, com um ar pensativo enquanto encara seu menino deitado na cama.

― Cansada? Cansada de quê?

― Não sei ao certo. De tudo um pouco.

― Venha aqui minha pequena. – Enquanto o falava, sentou-se corretamente na cama e indicou o lugar vago ao seu lado. – Sente pertinho de mim, Alice.

Fez uma careta ou duas demonstrando que seu desejo era manter-se ali, em pé, pronta para fugir a qualquer instante, afinal, era essa sua maior vocação… Fugir quando as coisas se complicassem, mas era impossível resistir aquela voz e aqueles olhos esverdeados de cãozinho abandonado.

― Não vou te morder, sabe? – Zombou.

Alguns passos depois, lá estava ela. Entre seus braços, o único lugar do mundo que lhe parecia ser seguro.

Obrigada… – Sussurrou.

― Não fiz nada, Alice.

― Fez sim… Está fazendo… Permanecendo ao meu lado quando mais ninguém faz o mesmo.

― Eu prometi que sempre estaria aqui, lembra?

― Todos prometem isso e sempre partem. Você sabe disso, já foi um dos que partiu. A única diferença é que voltaste…

― Alice! – Interrompeu Zé – Shiu! Repare no que estás falando. Dizes isso como se a qualquer momento eu pudesse fazer o mesmo novamente. Não vou cometer o mesmo erro!

― O que te impediria de fazer isso? Eu? Ah, Zé… Eu não posso te impedir de nada. Há garotas maravilhosas a qualquer virar de esquina, muito melhores do que eu. Nunca serei o suficiente para ti. Sabes disso melhor do que ninguém. – Abaixou a cabeça, na tentativa de esconder as lágrimas que percorriam seu rosto e lhe borravam a maquiagem.

― Sim, tenho que concordar contigo… Há muitas garotas maravilhosas por aí. Mas eu não quero elas. Quero você. Não quero uma garota Alice… Quero uma mulher. A mulher que tu és! Decidida, destemida… Única e perfeita para mim. – Com uma mão sobre seu queixo, Zé levantou sua cabeça, avistando seu rosto negro do rímel borrado e com um sorriso disse suas últimas palavras. – Pequena, eu amo-te.

― Não olhes para mim, Zé! Devo estar um monstro. – Levantou-se e mais uma vez virou seu rosto, não querendo que seu menino a visse em tal estado.

― Sim, estás um monstro – Riu-se. – Mas és o meu monstrinho, meu perfeito monstrinho. És linda, Alice. Sempre foste e sempre serás. De qualquer jeito. Me maquiagem e salto alto ou com a maquiagem borrada, descabelada e com uma camisa minha.

― Sentes-te obrigado a dizer isso.

― Não é obrigação. Apenas ensinaram-me a dizer sempre a verdade. E eu acabei de dizê-la. És linda.

― Me abraça, Zé. – Levantou, por fim, sua face e com um sorriso no rosto estendeu seus braços em direção de Zé. – Proteja-me. – Suplicou e por fim sussurrou – Eu também te amo.

Imediatamente, foi em direção a sua pequena e frágil menina. – Eu sempre te protegerei, mesmo que não queiras ou não percebas. Faça de conta que sou… Seu anjo da guarda. – Com a face de Alice entre suas mãos deu-lhe um beijo na testa. – Ok? Nunca te esqueças disso.

Tu és, Zé. És meu anjo e sempre serás.

Valeska Figueira (d-esprendida)


Mas é que… Você fica tão lindo com ciúmes.


Você vai sentir minha falta. Vai olhar para os lados e não me encontrará. Você irá se lamentar por ter me perdido e quando perceber que jamais me terá de volta… Ah, querido, você vai perceber que cometeu o pior erro da sua vida.


Você disse que estaria sempre aqui… Cadê você?


Sinto sua falta… Falta do seu sorriso, aquele verdadeiro e não este que usas para tapar as lágrimas. Falta do brilho em seus olhos e daquela sua felicidade tão contagiante… Ah, como sinto falta das gargalhadas. Escandalosas! Mas tão puras eram aquelas gargalhadas. Eras alguém tão extrovertido… Sempre com a cabeça de pé enfrentavas a vida com um sorriso enorme no rosto, sem se preocupar com os julgamentos. O que aconteceu? Porque toda esta mudança? As coisas poderiam voltar a ser como antes, sabes? Poderias voltar a ser aquele alguém de quem tanto sinto falta. Quero-te de volta, querida eu. Não demores.” (coffe&cigarette)


“Madrugada de domingo. Duas horas e trinta e seis minutos.

O telefone toca. O momento da chamada pela qual havia tanto esperado finalmente tinha chegado. “Aceitar chamada”. A opção era, de fato, tentadora. Alice escolhera pelo caminho mais doloroso. Chamada recusada, indicava-lhe o telefone. Enquanto as lágrimas escorriam em sua face, o telefone tocava mais uma vez. E outra. E outra. E outra.

― O que queres?

― Precisamos conversar, Alice.

― Pensei que já tínhamos falado tudo. Ou melhor, que já tinhas falado tudo.

― Desculpe…

― É isso que tens para dizer-me, Zé? Desculpa?! Lamento mas já é tarde demais para um pedido de desculpa.

(silêncio)

― Responda-me Zé! Ou ligaste para ficares calado?

(silêncio)

― Adeus, Zé. Até nunca ma…

― Espera, Alice… - Zé interrompeu-lhe, não suportando a ideia de nunca mais falar-lhe. - Posso contar-te uma história, Alice? Aviso-te desde já, não é nenhum conto de fadas, mas é uma história verídica.

― Pode contar, Zé. Estou ouvindo.

― Há dois anos atrás eu conheci uma garota. Linda, Alice… Linda! Tinha os cabelos castanhos encaracolados, compridos e tão sedosos. Ela possuir uma franja, cobria-lhe a testa e um pouco dos outros, dava-lhe aquele ar de menina que tanto me fascinava, e, ao mesmo tempo, acrescentava-lhe um certo mistério. Era quase da minha altura, talvez um ou dois centímetros mais baixa, mas pouca coisa. Tinha um sorriso tão lindo! Encantador, de fato. Ah, aquele sorriso, Alice! Era capaz de iluminar o mais sombrio dos dias. Seus olhos brilhavam como os de uma criança. Possuíam neles mil cristais. Ela era perfeita, Alice. Completamente perfeita! E eu amava-a. Ela amava-me. Eu amava o sorriso inocente dela e a forma como ela pronunciava meu nome com aquela voz de cristal, rouca mas tão linda… Aquele jeito tão doce e tímido que ela possuía. Amava as nossas brigas e, ainda mais, as nossas reconciliações. E quando ela dizia que me amava… Ah, Alice, quando ela dizia me amar, todo o mundo deixava de fazer sentido, tudo desaparecia e permanecíamos apenas eu e ela. Pertencíamos um ao outro. Ainda a amo… E ela odeia-me. Odeia-me!

― O que fizeste para ela odiar-te assim tanto, Zé? – Interrompeu Alice, enquanto lutava contra si mesma para conter as lágrimas que alojavam-se em seus olhos e os soluços presos em sua garganta.

― Parti. Quando ela mais precisava de mim… Deixe-a por medo do sentimento que invadia meu coração. Por medo do que ela, e apenas ela, foi capaz de me fazer sentir.

― O que sentias, Zé?

― Sinceramente? Eu não faço a mínima ideia, Alice. Dependência talvez. Total! Mas era algo mais. Não era amor… Amor nada é comparado ao que ela me fez sentir. Foi algo tão… Sem explicação. E eu não soube lidar com tal sentimento. Então parti. E continuo sofrendo pelo maior erro que cometi em toda a minha vida. Ah, Alice… Como eu sinto falta dessa garota! Todos os dias ouço músicas que me fazem lembrar dela. Todos os dias. E choro, choro até não aguentar mais. You’re the closest to heaven that I’ll ever be.

And I don’t want to go home right now. - Cantarolaram, Alice e Zé.

― Zé… - interveio Alice – Não faça isso…

― Deixe-me acabar a história, Alice. Está bem?

(silêncio)

― Considerarei isso um sim. Sabe o que mais dói nisso tudo, Alice? Ter que aceitar a dura realidade de que perdi-a, para sempre. Que nada voltará a ser como antes. É como se toda a nossa história tivesse sido apenas um sonho, nada mais do que isso. As roupas dela não estão mais no guarda-roupa, mas eu continuo reservando aquele espaço apenas para ela. A cama de casal, a cama que costumava ser nossa, agora abriga apenas uma pessoa. Eu. E continuo com o travesseiro dela no mesmo local, como se qualquer dia desses ela pudesse aparecer a meio da noite e enrolar-se ao meu lado. Ainda posso sentir o perfume adocicado dela durante a noite, nos lençóis, no travesseiro, na cama, no quarto. É como se ela tivesse presente. Ela não está mais aqui, Alice, mas sua memória permanece em todos os lugares. E machuca, machuca tanto, acordar todos os dias sabendo que não me depararei com ela na cozinha preparando nosso café da manhã vestindo minha camisa, que nunca mais tocarei sua pele macia e suave e jamais poderei beijar aqueles lábios tão doces novamente. Ah, Alice… Não sabes o que eu seria capaz de fazer para tê-la novamente em meus braços. Essa garota, ah, essa garota… Preciso dela, como nunca precisei de ninguém. Precisará ela de mim? Sentirá ela minha falta, Alice? – perguntou Zé, enquanto lágrimas invadiam seu rosto e mesmo tentando evitar, sabia que Alice notara que este estava a chorar.

― Zé…

― Não precisas dizer nada, não se preocupe…

― Eu quero dizer, Zé. Se ela não sentir sua falta é porque é uma idiota.

― Não, Alice. Se ela não sentir minha falta é, simplesmente, porque fez a escolha certa em sua vida e decidiu seguir em frente sem aquilo que lhe faz mal.

― Nunca fizeste-me mal, Zé! Pelo contrário. E eu amo-te, ainda amo-te mais do que tudo. Sinto sua falta, a cada segundo do meu dia e passei meses esperando por esse telefonema, meses esperando que sentisses minha falta e dizesses um simples “eu te amo”. – Alice encontrava-se em um daqueles momentos em que não sabia se o certo a fazer seria chorar ou falar. Decidiu calar-se.

― Eu amo-te, Alice.

A linha ficou em silêncio. Passaram dois minutos, três… Meia hora. E a única coisa que se ouvia era a respiração de ambos, os soluços de Alice e as lágrimas de Zé.

― Perdoas-me por tudo? – Implorava Zé do outro lado do telefone.

― Não há nada para perdoar, Zé.

― Mas disseste que pedir desculpa não adiantaria nada.

― Porque eu não queria um pedido de desculpa. Eu queria ouvir o que disseste, a nossa história. Queria ouvir que ainda me amas e que sempre me amaste. E queria, principalmente, saber o porquê deixaste-me tão repentinamente. Eu esperei por ti, Zé. Meses e meses. Sempre que o telefone tocava eu esperava que fosse teu número chamando.

― Oh, Alice…

― Promete-me, Zé? Nunca mais me abandonar novamente?

― Nunca abandonei-te, Alice. Eu estive ao seu lado todos os segundos. Bastava teres prestado mais atenção. Mas eu prometo-te, Alice, que, se me deixares, te farei feliz novamente. Prometo que nunca mais sairei porta a fora.

Eu te amo, Zé.

Eu amo-te, Alice.

(coffe&cigarette)


“O grande problema é que não te limitaste a simplesmente partir… Decidiste que antes que dizer o definitivo adeus irias pisar em mim e jogar em minha cara que nunca mais voltarias, que nossa história acabava ali e que as coisas jamais poderiam voltar a ser como antes.” (coffe&cigarette)